O cúmulo do “chiquê” é você ter uma cachorra que toma Prozac!
Aconteceu comigo, ou melhor, com a minha vira-lata que eu classifico de o ser mais emergente que conheço: achada numa caixa de papelão abandonada num estacionamento de supermercado, a nem tão pequena vira-lata pretinha dos pêlos de aço, vinha apresentando um comportamento terrível que eu, em meu desespero preconceituoso, atribuía à sua origem social dentro da casta mais baixa (sim, estou vendo “caminho das índias” e por isso queria um pretexto para usar a palavra “casta”). Enfim, transtornada com o comportamento social inaceitável de minha rebenta canina, primeiramente contratei uma babá para ela, depois matriculei-a em aulas de etiquetas caninas, mas eis que depois de uma visita no veterinário, saí de lá com um diagnóstico revelador: Minha cadela sofre de “síndrome do abandono” e o remédio para tanto nada mais é do que uma dose diária de fluoxetina, popularmente conhecido como Prozac!
Meus olhos quase se encheram de lágrimas... A minha filhota não é a escória canina, ao contrário, possui a sensibilidade, a idiossincrasia e a neurose humana! Que linda!
Segundo o que o Google me ensinou, a “síndrome de abandono” é algo que o cãozinho muito ansioso desenvolve na ausência do dono, pois se sentem sem o líder da matilha e ficam sem saber o que fazer, uns se auto flagelam e se ferem, outros destroem tudo a sua volta. Fiquei tão emocionada...minha cadelinha tem transtorno de ansiedade, destrói tudo, e vai tomar Prozac, que nem a mamãe!!!
Cachorro também é gente, já diria o ex Ministro Rogério Magri. Ou será que a gente é que ta ficando muito cachorro ? Afinal, não são os mesmos problemas ? Não perdemos os parâmetros de segurança quando não sabemos mais quem é o líder da matilha ? E não comemos nossas patinhas ou comemos tudo – ou todos – que estão por perto numa tentativa desenfreada de ocupar o tempo enquanto o nosso dono não vem ??? E, afinal, não estamos todos de um jeito ou de outro correndo atrás do próprio rabo ?
Me lembrei agora de um almoço que tive há alguns anos com minhas amigas: uma tinha transtorno obsessivo-compulsivo, outra síndrome do pânico, outra depressão pós parto e eu, humilhadíssima, não tinha até então nenhum distúrbio pisiquiatrico para poder brincar de super trunfo de antidepressivo com elas. Anos depois, pude exibir o meu transtorno de ansiedade, mas já não era mais o auge da moda.
Lembrei, também, de um ex-namorado que me causou sufocamento ao estabelecer uma relação grudenta em um final de semana. Quando, depois de sessões de terapia, eu impus meu limite ele surtou e disse que eu era uma descomprometida. Depois me disse que ele sofria de “transtorno afetivo” e que não se relacionava com ninguém. Ou seja, ele ia me dar o pé em meia semana porque o “transtorno afetivo” ganha do “transtorno de ansiedade” nos pontos do super trunfo psiquiátrico!
PROZAC na água, como sugeriu uma amiga psicóloga!
Mas pensando bem, acho que não... embora com Prozac você seja capaz de encarar um caos aéreo de 12 horas cantarolando no aeroporto, ele faz você ficar broxa...são meses e meses sem querer ou se preocupar com o assunto feliz da vida sem justificar por transtorno nenhum... Mas eu que não! Prefiro ser uma deprimida sexuada que pode ter boas tardes de sexo com um transtornado afetivo!!! Nesse sentido, os cães são mais felizes...pelos menos nos dias de hoje no mundo de Prozac eles já vem castrados!
Compulsão Alimentar
Há 9 anos